
Debate digital da TSP – “Criar condições dignas para poder votar”
Num debate digital com representantes da comunicação social das Comunidades a
Associação Cívica “Também Somos Portugueses” analisou os resultados da eleição do
Presidente da República portuguesa do ponto de vista dos portugueses que vivem no
estrangeiro, com foco especial na Europa. Discutiram-se os problemas de participação e
organização eleitoral, o voto em mobilidade, os consulados, e as mesas de voto. Abordou-se a
questão de como melhorar a comunicação com os eleitores, e falou-se sobre o voto digital.
Falta de desdobramentos, poucas mesas de voto que obrigam os eleitores a ter que percorrer
centenas de quilómetros fundamentam a alta abstenção de cerca de 95 %.
Paulo Costa, presidente da Associação TSP – Também somos portugueses, abriu a sessão,
com as boas- vindas. Destacou o crescimento significativo no número de portugueses votantes
no exterior, de 29 mil em 2021 para 85 mil em 2026, mas lamentou que a participação eleitoral
continuasse baixa, não tendo chegado aos 5 %.
“Se os desdobramentos que já estão previstos na lei eleitoral fossem praticados, podíamos
aumentar a participação de uma forma significativa, afirma Nelson Rodrigues, vice-presidente da
TSP e moderador do debate.
Carlos Pereira, diretor do LusoJornal que é editado na França e lido por toda a Europa e Bruno
Manteigas, jornalista da LUSA realçaram a falta de informações sobre a modalidade de voto, o
que resultou em confusão entre os eleitores, alguns dos quais esperaram em vão pelo envelope
do voto postal. Carlos Pereira destacou que apesar do aumento significativo no número de
eleitores, a participação permaneceu baixa, com apenas 3,75 % de votação em França. Criticou
a falta de visitas organizadas dos candidatos, e discutiu a falta do voto em mobilidade, que não
foi aplicado a estas eleições. Bruno Manteigas assinalou o esforço dos consulados no Reino
Unido em terem constituído 5 mesas de voto, mas ainda com a falta de cobertura em algumas
zonas, como a Escócia e Cornualha.
Carlos Pereira destacou que a falta de campanha de informação por parte das organizações da
comunidade portuguesa e a ausência do candidato André Ventura na França foram pontos
marcantes, embora outros candidatos tenham ido fazer campanha naquele país. Também
observou que o partido Chega se organizou efetivamente nas comunidades portuguesas, o que
resultou na mobilização de eleitores que nunca haviam votado.
A performance do candidato André Ventura na Diáspora foi discutida. “O seu sucesso deve-se
em grande parte à popularidade pessoal e ao discurso assertivo nas redes sociais, semelhante
ao que ocorreu com Donald Trump”, afirma Bruno Manteigas. Carlos compartilhou experiências
sobre desinformação entre os eleitores na Suíça e destacou a mobilização eficaz do partido
Chega, em contraste com a falta de organização dos outros partidos.
Carlos Pereira afirmou ter existido um voto de protesto nas comunidades, explicando que não
houve respostas satisfatórias aos problemas levantados. Nelson Rodrigues, vice-presidente da TSP e moderador do debate, questionou quais são os desejos reais das comunidades e se a
frustração por trás desse voto pode bloquear mais progresso na política comunitária.
O Presidente da TSP neste contexto apresentou o resultado de um inquérito conduzido pela
mesma Associação Cívica sobre os temas que mais afectam as comunidades e que
fundamentam a insatisfação e frustração que se nota. O acesso à rede consular e aos
respetivos serviços continua, além de se constatar alguns progressos, a estar em primeiro lugar.
As dificuldades de poder exercer o direito de voto democrático num sentido de igualdade é
referenciado em segundo lugar. Neste inquérito, 78 % dos entrevistados, apontam
o voto eletrónico como preferência.
Na segunda parte do debate os participantes discutiram desafios relacionados ao voto em
mobilidade para portugueses no exterior, destacando a falta de campanhas informativas e
uniformização de metodologias de voto. Carlos Pereira e Bruno Manteigas identificaram que,
embora existam possibilidades técnicas para implementar o voto em mobilidade e
desdobramentos de mesas eleitorais, faltam ações concretas e vontade política para
implementá-las. Bruno Manteigas da LUSA destacou a necessidade de melhor informação,
sugerindo o uso de e-mails e mensagens por telemóvel para informar os eleitores sobre os
processos eleitorais. Também mencionou a importância da literacia digital e o potencial do voto
eletrónico através de telemóveis, e argumentou que os partidos não devem temer. Paulo Costa,
presidente da associação “Também Somos Portugueses”, anunciou que irão elaborar um
relatório sobre as eleições e propor melhorias, incluindo a harmonização dos sistemas de voto e
o uso de e-mails para campanhas eleitorais. E acrescenta: “o voto eletrónico será a solução
para o futuro e uma medida que mais tarde, mais cedo terá que ser introduzido”.
Apresentação dos participantes do debate
Carlos Pereira é o diretor do LusoJornal, que se publica em França desde 2004, e que se
especializa em matérias da comunidade portuguesa naquele país. É também o realizador de
uma série documental sobre os portugueses em França, exibida na RTP. Bruno Manteigas é um
jornalista radicado em Londres, colaborador de vários órgãos de comunicação social
portugueses, em especial a Agência Lusa. Ao longo da sua carreira, tem acompanhado temas
de política, economia, sociedade, desporto e cultura.
Paulo Costa, Presidente da Associação Cívica, Também Somos Portugueses
Nelson Rodrigues moderou o debate é Vice-Presidente da TSP e sociólogo
Vídeo do debate
Este debate foi gravado em vídeo, que está disponível no canal de YouTube da TSP – Também somos portugueses: Painel ao Contrário 2026 – Europa

