Painel ao contrário – Análise das Eleições Presidenciais de 2026 nas Américas

Análise das eleições presidenciais de 2026 no estrangeiro por jornalistas da diáspora

Com:

– Marcos Ramos Jardim (Correio da Venezuela)

– Ígor Lopes (Agência incomparáveis, Brasil)

– Rómulo Ávila (Grupo MDS, Toronto, Canadá)

e moderação de Emmanuelle Afonso, da Associação TSP – Também somos portugueses

Sumário

Este foi um debate em que jornalistas do Canadá, Venezuela e Brasil discutiram os resultados da eleição do Presidente da República portuguesa do ponto de vista dos portugueses que vivem no estrangeiro, com foco especial na região das Américas. Os participantes analisaram os desafios de participação cívica dos portugueses no exterior e discutiram soluções como a implementação do voto eletrónico para aumentar a participação em eleições. A discussão concluiu com planos para propor alterações às leis eleitorais e do recenseamento, incluindo a harmonização de sistemas de voto e a implementação do voto eletrónico.

Apresentações

Ígor Lopes trabalha na Agência incomparáveis, e escreve em vários órgãos de comunicação da diáspora. Rómulo Ávila compartilhou informações sobre a publicação onde escreve, o «Milénio Stadium», editada no Canadá, que tem uma tiragem de 17 mil exemplares. Marcos Ramos Jardim trabalha entre outros no jornal semanal «Correio da Venezuela».

Os participantes expressaram solidariedade com os compatriotas portugueses afetados pelas calamidades naturais em Portugal.

Paulo Costa, presidente da Associação TSP – Também somos portugueses, abriu a sessão, com as boas- vindas. Destacou o crescimento significativo no número de portugueses votantes no exterior, de 29 mil em 2021 para 83 mil em 2026, mas lamentou que a participação eleitoral continuasse baixa, não tendo chegado aos 5 %.

Resultados Eleitorais

Ígor apresentou dados sobre o resultado da eleição na região das Américas, mostrando que no Brasil, André Ventura ganhou com 4269 votos contra 3000 de António José Seguro. Também observou que o número de votantes aumentou na segunda volta. Destacou que André Ventura manteve a vitória na maioria dos consulados no Brasil, enquanto José Seguro venceu em Porto Alegre e Salvador.

Rómulo Ávila descreveu a participação em quatro locais de voto no Canadá e mencionou que a vitória no Canadá coube a André Ventura, mas com divisão de resultados entre André Ventura e António José Seguro, com cada um dos candidatos ganhando em dois desses locais.

Marcos compartilhou sua experiência como luso-descendente nascido na Venezuela, explicando que apenas dois dos dez consulados honorários no país registaram votos significativos, com vitória esmagadora de Ventura em Caracas e Valência.

Ígor discutiu as causas da baixa participação nas eleições, destacando a falta de comunicação adequada com cidadãos portugueses no exterior e a necessidade de mudança cultural para aumentar a participação cívica. Marcos explicou que a baixa participação na Venezuela (3,45 %) foi em parte devido às distâncias grandes entre cidades e consulados, com alguns cidadãos tendo que viajar até 10 horas em autocarros para votar

Rómulo discutiu os desafios de votar em Portugal no exterior, destacando a distância e os custos associados ao deslocamento às embaixadas ou consulados.

Análise dos resultados

Os participantes discutiram como fatores políticos e condições locais influenciaram o voto de portugueses no exterior, especialmente na Venezuela e no Brasil. Eles observaram que a instabilidade política no país de origem e os hábitos de votação no país de acolhimento podem afetar a participação e os resultados eleitorais. Ígor complementou, destacando o aumento do número de votantes no Brasil e a polarização política refletida nas eleições portuguesas, sugerindo que a imigração reflete as tensões dos países de acolhimento. Elogiou também o trabalho dos consulados na organização do processo eleitoral.

Rómulo atribuiu a vitória de Ventura ao descontentamento com Portugal e à campanha local bem executada por arquitetos da sua candidatura.

Marco atribuiu os resultados mais fortes do candidato Ventura na Venezuela à identificação da comunidade portuguesa com ideias conservadoras e patriotismo português. Explicou que a Venezuela tem 27 anos de de esquerda e que muitos portugueses na Venezuela sentem medo da situação política local, o que os leva a se identificar com Ventura.

A discussão concluiu com o reconhecimento de que a democracia foi respeitada nos resultados e que a importância está em manter a unidade da comunidade portuguesa independentemente das diferenças regionais.

Possíveis soluções e implementação do voto eletrónico

Emmanuelle questionou sobre possíveis soluções para a baixa participação, incluindo a criação de postos de voto em outras entidades, voto postal ou voto eletrónico. Rómulo concordou com a implementação do voto eletrónico como solução prática, argumentando que a tecnologia já existe e seria bem recebida pela comunidade portuguesa no Canadá. Emmanuelle afirmou que a questão principal não é tecnológica, mas política, e mencionou que ela e Paulo têm trabalhado para obter assinaturas necessárias para uma petição para levar a discussão à Assembleia da República. Argumentou que o voto eletrónico é uma solução necessária para garantir igualdade de participação, já que muitos cidadãos não podem se deslocar fisicamente aos locais de votação. Ígor destacou que o voto eletrónico já existe há anos no Brasil e em outros países, sendo seguro e confiável, mas observou que a divulgação do voto na diáspora está muito limitada ao movimento associativo. Rómulo mencionou um comentário de uma pessoa de Toronto que corrobora a necessidade do voto eletrónico, e todos concordaram que é importante expandir a participação além das comunidades associativas para incluir empresários e outros portugueses que não estão envolvidos no movimento associativo.

Paulo destacou que o voto eletrónico poderia aumentar em muito o número de votantes, comparado ao sistema atual. A TSP planeia propor alterações às leis eleitorais e do recenseamento, incluindo o voto eletrónico e a harmonização de sistemas de voto, com intenção de discutir com partidos políticos e o Ministro da Reforma do Estado. Um inquérito com cerca de 800 respondentes em 51 países revelou que 78% dos participantes consideram o voto eletrónico uma solução importante, com os principais problemas do portugueses no estrangeiro identificados sendo o acesso aos serviços consulares e o processo de votação.

Este evento teve lugar no dia 12 de fevereiro de 2026, às 22h00 de Lisboa, 17h00 de Toronto, 18h00 de Caracas e 19h00 do Rio de Janeiro

Vídeo do debate

Este debate foi gravado em vídeo, que está disponível no canal de YouTube da TSP – Também somos portugueses: Painel ao Contrário – Américas – Eleições Presidenciais