Voto nas eleições presidenciais no estrangeiro: participação aumenta, abstenção mantém-se elevadíssima e resultados dão que pensar

TSP – Também somos portugueses, 26 de janeiro de 2026

Com 72 756 votos, a votação em 18 de janeiro de 2026 dos portugueses no estrangeiro na eleição do Presidente da República mais que duplicou relativamente à eleição de Marcelo Rebelo de Sousa em 2021, quando votaram 29 153 eleitores. Esta participação em eleições presidenciais aconteceu apesar das dificuldades inerentes ao voto unicamente presencial. A distância aos consulados é amiúde intransponível – por exemplo, os moradores na Islândia teriam de se deslocar à Noruega e os da Nova Zelândia à Austrália para votarem. O voto em mobilidade poderia ter sido utilizado, mas a Assembleia da República não legislou para o permitir. Alguns consulados recusaram pedidos de criação de mais mesas de voto, apesar de esse desdobramento estar previsto na lei.

Tais obstáculos fizeram com que a participação neste ato eleitoral, com voto presencial, fosse, apesar de importante, muito inferior à que se registou nas eleições para a Assembleia da República em 2025, que, graças ao voto postal, contou com o quíntuplo dos votantes.

Confirma-se uma vez mais que o voto apenas presencial não serve os portugueses no estrangeiro. A única alternativa é mesmo o voto digital (voto eletrónico remoto). A Associação TSP – Também somos portugueses acredita que o voto digital poderá contribuir significativamente para a redução dos alarmantes níveis de abstenção que continuam a verificar-se mesmo quando os consulados estão perto. A TSP tudo fará para que o voto digital no estrangeiro seja adotado durante a presente legislatura.

O sentido do voto da maioria dos portugueses residentes no estrangeiro nesta eleição presidencial devia dar muito que pensar ao Governo, à Assembleia da República e à sociedade em geral, que deveria interpretá-lo também como um sinal claro de descontentamento. Os principais problemas com que se debatem as comunidades portuguesas são sobejamente conhecidos: ensino insuficiente da língua portuguesa; serviços consulares distantes e caros; dupla tributação dos reformados; apoios insuficientes aos reformados que desejem regressar a Portugal ou que aí permanecem por longos períodos, nomeadamente o acesso aos centros de saúde; obstáculos ao exercício do direito do voto. Todos estes problemas exigem medidas vigorosas que tardam a chegar.

Acresce que os portugueses residentes no estrangeiro não se preocupam apenas com os seus próprios problemas, mas também com os que afetam os seus familiares e as suas comunidades de origem em Portugal. São, por isso, sensíveis e permeáveis à visão do país que lhes é transmitida pelos seus próximos, pelos canais televisivos e pelas redes sociais. Também estes elementos terão de ser tidos em conta na análise do sentido do voto das comunidades portuguesas que os governantes venham a fazer.

A TSP, associação cívica internacional focada na melhoria dos serviços prestados pelo Estado Português aos portugueses no estrangeiro, continuará a contribuir para uma participação cívica e política cada vez mais ativa dos portugueses na diáspora e a trabalhar, com as autoridades portuguesas, para encontrar soluções para os problemas que os afetam.

As leis eleitorais portuguesas estão ultrapassadas e urge alterá-las para as adequar aos tempos modernos. Preocupada com esta questão, a TSP apresenta regularmente propostas com vista a melhorar o processo eleitoral.

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